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Melancolia

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Sinto falta de ler textos belos. Tenho saudade de ver fotos bonitas e alegres ou filmes que tragam esperança. Com temas tocantes, que fazem a gente suspirar e terminar a leitura com um sorriso. Como quando terminei ‘Cem a6-numa vielanos de Solidão’, ou quando leio Cecília Meireles. Vai ficando aquela sensação boa de que as coisas vão dar certo. Assistir ‘O lado bom da vida‘ também trouxe esse arzinho de felicidade besta. É isso. Felicidade besta o que eu tô precisando. Chá quentinho de abacaxi e hortelã, cheiro de bolo de fubá no forno, abrir a janela e ver o céu azul ou a chuva caindo bem fininha, molhar o pé de manjericão e plantar mudas novas, comer chocolate.

Aluna

Conservo-te o meu sorriso

para, quando me encontrares,

veres que ainda tenho uns ares

de aluna do paraíso…

Leva sempre a minha imagem

a submissa rebeldia

dos que estudam todo o dia

sem chegar à aprendizagem…

– e, de salas interiores,

por altíssimas janelas,

descobrem coisas mais belas,

rindo-se dos professores…

Gastarei meu tempo inteiro

nessa brincadeira triste;

mas na escola não existe

mais do que pena e tinteiro!

E toda a humana docência

para inventar-me um ofício

ou morre sem exercício

ou se perde na experiência…

(Cecília Meireles – Viagem e Vaga Música*)

40-castelo*descobri esse livro na livraria da UFV, ainda na graduação, e foi um dos poucos que comprei durante a graduação inteira (ainda estou me livrando dos xerox) porque comecei a folhear e me apaixonei perdidamente. Quase tatuei um trecho desse poema. A ideia ainda está aqui.

As duas fotos desse post eu tirei em Sintra, em Portugal, há dois anos. Eita lugar pra dar saudade nesses tempos de melancolia – essa viagem, inclusive, foi o motivo inicial do blog…

Affe

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O blog ficou parado porque, entre conclusão do estágio, viagem dos sonhos para Barcelona (e pesadelo porque fui furtada lá) e preparativos pra volta, além da ansiedade monstra de voltar e ver minha família e meu namorado lindo, não vai dar pra elaborar nada por enquanto. Meus dois leitores, aguardem os próximos capítulos! 🙂

Companhia na viagem

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Salman Rushdie foi o autor que descobri da maneira mais ridícula que uma leitora pode assumir: numa liquidação. Achei o livro encantador mas nunca tinha ouvido falar dele. Admito que comprei porque a Fnac não sabia seu valor (e nem eu, santa ignorância). Quando li na orelha do livro que Rushdie teve sua morte decretada por um aiatolá por ter escrito um livro criticando o islamismo, o admirei ainda mais. Descobrindo ainda que Haroun e o Mar de Histórias era uma defesa dessa mesma liberdade de expressão que tentavam tirar dele, eu já sabia que a compra tinha sido boa. Só não sabia o quanto eu ia gostar dele.

“Seria melhor se você ficasse com os pés no chão, mas você vivia no mundo da lua. Seria melhor se você se limitasse aos Fatos, mas você encheu sua cabeça de histórias. Seria melhor você ter ficado em casa, mas lá veio você até aqui. São as histórias que causam os problemas. Um Mar de Histórias é um Mar de Problemas. Me responda, por favor: para que servem essas histórias que nem sequer são verdade?”

O diálogo fantástico entre uma sombra que conseguia se desgrudar do corpo de origem e um menino tentando salvar o Mar de Histórias faz muito mais sentido quando se sabe que Rushdie queria demonstrar para o filho a importância da liberdade, não?

Antes ainda, quando o menino questionou o porquê dos soldados do exército poderem falar sobre o que quisessem (inclusive mal dos planos de salvar a princesa), recebeu uma resposta incrível:

“qual o sentido de se dar às pessoas Liberdade de Expressão, e depois dizer que elas não devem utilizá-la? E não é o Poder da Palavra o maior de todos os poderes? Então de certo deve ter plenas garantias de exercício!”

Discurso interessante vindo de um Gavião-Avião mecânico. 🙂

Mais informações sobre o autor e sua história aqui

A viagem

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Apesar da ansiedade, da angústia e do pânico em que acordei na segunda-feira, cá estou em terras lusas. Num quartinho pequeno com banheiro (com uma daquelas duchas móveis e um box em que uma pessoa com 15 quilos ou 10 centímetros a mais não caberia) e morando com mais duas brasileiras, tendo ainda uma amiga no mesmo prédio. Já ter alguém aqui que alugou o quarto pra mim foi uma vantagem incrível. Não precisei fazer  reserva em hotel nenhum e vim de táxi, por 10 euros, direto do aeroporto.

Os aviões

Cheguei duas horas antes, conforme o pedido para viagens internacionais, mas meu trajeto era doméstico, tendo em vista o voo até o Rio de Janeiro pela TAM para depois sim, pegar pela TAP até Lisboa. Mas não teve problema, eu estava tão ansiosa que teria amanhecido em Viracopos se isso não fosse muito ridículo. Tudo tranquilo, despedidas, saber que só vejo meu namorado daqui dois meses ( 😦 ), o avião decolou exatamente às 19:00 e antes das 20:00 eu já estava no Rio. Um Rio chuvoso e abafado, onde eu tive certeza que minha mala saiu do avião embaixo de uma tempestade, sem proteção (o que pude confirmar quando cheguei aqui e vi minha toalha molhada). Troquei minha passagem TAM pela TAP, paguei R$ 4,90 num salgado (!!) e fui para o embarque internacional. Lá a fila era enorme, todas as línguas que eu conhecia e não conhecia eram faladas, conferiram meu passaporte e fiquei esperando o horário do voo.

A classe econômica da TAP é muito apertada. MUITO. Cheguei e já havia uma senhorinha portuguesa sentada na poltrona do corredor, com uma sacola de mudas de plantas que trazia para a cidade do Porto nos pés e sua bengala do lado. O aperto mais a senhorinha que não poderia se levantar do meu lado me fizeram pensar: vai ser uma loonga viagem. E foi. Achei o jantar bem ruim, mas gostei da aeromoça, bem simpática. O café da manhã, servido uma hora antes da “aterragem”, foi muito melhor do que o jantar.

A recepção em Lisboa 

E o que era a fila dos passaportes no aeroporto de Lisboa? Muito maior do que do Galeão. E eu lá, com minha pastinha de documentos (carta de moradia, carta da FAPESP, valores do Visa Travel) e o funcionário, vendo meu passaporte, perguntou onde eu ia e o que eu ia fazer. PRONTO. Carimbo no passaporte e eu estava liberada. Assim, sem nem mostrar tuudo o que eu tinha trazido pra provar que eu só queria estudar.

É a vida. To em Lisboa. E sabe a primavera que já tinha chegado, o calorzinho? Rá, pegadinha do Malandro! Vai fazer 10 graus aqui até amanhã e eu vou ter que comprar pelo menos um casaco e uma bota (não que isso seja um problema). Mas olha o que é praticamente meu vizinho

 

Namorado que fica

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São quase 11 horas da noite do dia 25 de março. Só hoje meu namorado perguntou quando será a viagem. Desde que o financiamento do projeto foi aprovado, no dia 16 de janeiro, ele evitava falar nela. É claro que, devido à minha (pouca) ansiedade, o assunto sempre aparecia. Foi ele inclusive quem foi comigo ao banco transformar meus suados 2000 reais em 700 (!!) euros – falo disso depois. Parecia sempre que a viagem estava distante… e agora é daqui uma semana. Ele nem imagina o quanto eu vou sentir saudade dele. Esse lindo.

e o frio na barriga

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E as passagens foram compradas e o meu coração parece que vai sair pela boca (clichê, mas né? realmente tenho essa sensação!). Morro de medo que algo dê errado, que eles me deportem, “mas senhor, eu vim pesquisar pra escrever sobre um personagem português!” “Já temos historiadores suficientes! Você quer é se mudar pra cá, pode voltar pro Brasil!” É, eu sou extremamente ansiosa e um mês antes da viagem já comecei a tomar um tal de Passiflora que, dizem, acalma e faz crescer e me faz dormir melhor.

O que sei é que em viagens de menos de três meses nós, brasileiros lindos (tá, acho que todo mundo, mas continuamos lindos), não precisamos de visto para a União Europeia e eu estou indo pesquisar por lá, com estágio aceito por um professor da Nova de Lisboa que vai me orientar pelos arquivos portugueses. Tenho projeto aprovado e bolsa de pesquisa, além de uma amiga linda que vai me acolher por lá. E também estou fazendo o tal seguro saúde. Enfim, não há como ter um problema, há?

Bom, tem uma conexão no Rio, e eu nuunca fiz uma conexão. Quer dizer, eu nunca fiz uma viagem internacional (Paraguai conta? Do lado de Ponta Porã pra fazer compras? Não, né?). Também é claro que nunca fiquei tanto tempo num avião e nunca precisei “pedir” pra entrar num país. Acho essas coisas estranhas. Isso de pedir pra entrar num país. Querendo conhecer o lugar, na verdade to dizendo “pô, vocês são legais, quero muito entrar!”, e sei que as pessoas não são lá muito simpáticas… Amiga que está por lá já ouviu várias grosserias. Simplesmente por não ser portuguesa. Mas é claro, tem muita gente boa, ela diz. Como a senhorinha que alugou o apartamento pra ela e vai alugar um quarto pra mim 🙂

É isso: passagem comprada, seguro (quase) feito, passaporte em mãos e esperando a carta da agência que financia as pesquisas desta doida que vos (alguém?) escreve.