Arquivo do autor:Carol M

Sobre Carol M

leitora que ainda não sabe se quer ser lida

Melancolia

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Sinto falta de ler textos belos. Tenho saudade de ver fotos bonitas e alegres ou filmes que tragam esperança. Com temas tocantes, que fazem a gente suspirar e terminar a leitura com um sorriso. Como quando terminei ‘Cem a6-numa vielanos de Solidão’, ou quando leio Cecília Meireles. Vai ficando aquela sensação boa de que as coisas vão dar certo. Assistir ‘O lado bom da vida‘ também trouxe esse arzinho de felicidade besta. É isso. Felicidade besta o que eu tô precisando. Chá quentinho de abacaxi e hortelã, cheiro de bolo de fubá no forno, abrir a janela e ver o céu azul ou a chuva caindo bem fininha, molhar o pé de manjericão e plantar mudas novas, comer chocolate.

Aluna

Conservo-te o meu sorriso

para, quando me encontrares,

veres que ainda tenho uns ares

de aluna do paraíso…

Leva sempre a minha imagem

a submissa rebeldia

dos que estudam todo o dia

sem chegar à aprendizagem…

– e, de salas interiores,

por altíssimas janelas,

descobrem coisas mais belas,

rindo-se dos professores…

Gastarei meu tempo inteiro

nessa brincadeira triste;

mas na escola não existe

mais do que pena e tinteiro!

E toda a humana docência

para inventar-me um ofício

ou morre sem exercício

ou se perde na experiência…

(Cecília Meireles – Viagem e Vaga Música*)

40-castelo*descobri esse livro na livraria da UFV, ainda na graduação, e foi um dos poucos que comprei durante a graduação inteira (ainda estou me livrando dos xerox) porque comecei a folhear e me apaixonei perdidamente. Quase tatuei um trecho desse poema. A ideia ainda está aqui.

As duas fotos desse post eu tirei em Sintra, em Portugal, há dois anos. Eita lugar pra dar saudade nesses tempos de melancolia – essa viagem, inclusive, foi o motivo inicial do blog…

sazonal

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Aula de Geografia, atividade extra no caderno e eis que vem a pergunta:

– professora, o que é ‘sazonal’?

Eu, com aquela paciência que Deus deu extra aos professores (porque eles estão no nono ano e já viram essa palavra duas centenas de vezes):

– tem a ver com a época do ano, acontece sempre em determinada estação do ano. Aliás, vocês já coloquem  o significado dessa palavra ai do lado para aprenderem, porque na próxima prova eu não vou ficar ‘traduzindo’ as palavras que vocês não conhecem, como eu fiz na prova passada. São palavras que vocês tem de saber (porque gente, eu não tô falando de palavras como ‘idiossincrasia’, tô falando de ‘intenso’: “- professora, inverno intenso é que foi muito frio né?”).

– Mas professora, você devia escrever com as palavras que A GENTE sabe, não as suas (as minhas, sou dona de palavras agora…).

– Não senhora. Vocês vem pra escola para aumentar o vocabulário de vocês, não para ficarem com esse vocabulário restrito!

– Aí, tá vendo, ‘restrito’!

ráxitégui vida de professora

Lembrei disso porque fiquei sabendo que ‘traduziram’ um livro do Machado de Assis para que os jovens possam ler. Olha minha gente, eu não acho que Machado seja fácil, acho até que não seria nada demais colocar umas notinhas de rodapé com o significado de algumas palavras (que na minha época a gente tinha um método muito complexo pra resolver esse problema, chamado procurar-no-dicionário) mas daí a MODIFICAR O TEXTO! Um blogueiro fez uma comparação brilhante:

“Eu também entendo o porquê da minha irmãzinha não gostar muito do quadro O Nascimento de Vênus, de Botticelli, mas nem por isso eu tenho o direito de colocar a boneca Barbie em cima da concha, no lugar da deusa Vênus, né?”

Vamos dar conhecimento para que eles consigam ler Machado de Assis? Nop, vamos modificar as palavras difíceis. Logo nas livrarias: prateleiras dividindo as obras por níveis, como um video-game:

– O senhor quer Jorge Amado no nível hard? Porque temos aqui um easy que acabou de sair, ilustrado, com apenas 4 tempos verbais e 20 páginas!

 

pensando alto

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No carro, voltando da casa dos pais dele. Daí eu disse que

– Espero que a gente more juntos o quanto antes porque não vejo mais motivo pra gente ficar separado se a gente fica junto o tempo todo e…

Ele me olha com aquela cara de ‘você reparou que coisa linda que você disse?’

E só ai eu reparei. E lembrei que precisava abastecer o carro.

Dia das mulheres

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A luta é todo dia.

Por uma sociedade em que todas possam se vestir da maneira que quiserem, sem se preocupar com assédio ou estupro;

Por um mundo em que meninos sejam educados a respeitar, a não mexer, a não tocar em meninas, se elas não quiserem;

Pelo fim da violência contra a mulher.

LUGAR DA MULHER É ONDE ELA QUISER.

 

História de vida

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Prazo para fazer a matrícula: sexta, sábado e domingo (sim, dois dias em que a secretaria não funciona, apenas um dia útil); tento fazer matrícula: não estou cadastrada no sistema (esse ser onipresente e onisciente em nossas vidas); envio o email que pediram  por telefone para tentar resolver o problema: emails ignorados e perco o prazo de matrícula; no primeiro dia útil após o fim do prazo: ligo para saber o que fazer e magicamente apareço no sistema; preciso que alguém da secretaria faça a matrícula na disciplina (porque perdi o prazo porque não estava no sistema): envio mais um email pedido com o código da disciplina (não, eu não podia apenas falar pela telefone); três horas depois ligo novamente já que não obtive resposta do email: em 30 segundos a secretária abre o email e realiza a matrícula.