Ser mulher no século XIX

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“Aos 4 anos, Isabel foi reconhecida herdeira da Coroa. Cresceu como a princesa que teria de fortalecer o princípio monárquico apesar de ser mulher. Apesar de… Mas o que era ser mulher então?

Segundo médicos e cientistas, o gênero era governado pela sensibilidade. Escritores como Chateaubriand preferiam defini-lo como ‘o belo defeito da natureza’. Afinal, Adão não saiu de entranhas enfermas, mas das mãos de Deus. Já a inferioridade feminina era um dado natural, sem remédio. Era graças a ela que existiam coisas desprezíveis como a prostituição, o adultério e o infanticídio. Até o banho de sangue da Revolução Francesa lhe era debitado. Só por meio do casamento a mulher encontrava seu papel verdadeiro: o de ser obediente e dotada de sentimentos exemplares como a abnegação. A religião lhe era imprescindível. Sua fé ora funcionava como suporte contra sua fragilidade, ora como aliada de seu pudor e ignorância. Apenas a moral, a vida doméstica e a educação dos filhos  poderiam dar-lhe alguma forma de gratificação. Para a biologia,, que descobrira recentemente a ovulação, ela era o ‘vaso frágil’ no qual o homem depositava sua semente. Controlar seu funcionamento sexual era controlar sua vida. O marido seria o guardião da saúde feminina. Ele a criaria à sua imagem e semelhança”.

(PRIORE, Mary del. O Castelo de Papel. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. págs 43-44 – Livro sobre a vida da princesa Isabel e do Conde d’Eu, seu marido)

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