O que ando lendo

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Nesse período terrível de espera da defesa não consegui abrir o texto da dissertação. Sequer olhar pra ele. Dai que ando lendo algumas coisas que estavam paradas nas prateleiras de livros há algum tempo. O Versículos Satânicos (Versos Satânicos no Brasil – minha versão é a portuguesa), livro que levou seu autor Salman Rushdie a passar a vida escondido, pois foi condenado a morte por causa dessa obra por um aiatolá (falei dele aqui), não é uma leitura fácil. Suas 600 páginas remetem muito a mitologia da criação da religião islâmica, sobre a qual eu não sei muito e me deixou meio perdida, igual quando li ‘Caim’, do Saramago – era tanta referência bíblica que eu não dava conta de assimilar todas as ironias do autor, declaradamente muito ateu. Eu ainda não acabei ‘Versículos’, estou indo aos poucos, lendo outros livros quando me canso dele… como ganhei a autobiografia, queria ler primeiro o ‘Versículos’ pra depois ir pra ela, ou seja, vai demorar um pouco ainda. Dentre frases e citações lindas, achei uma particularmente espetacular:

“Pergunta: qual é o contrário da fé?

Não é a descrença. Demasiado definitiva, segura, fechada. Ela própria uma espécie de fé.

A dúvida.

A condição humana, pois, mas então e a angélica? A meio caminho entre Aládeus e o homosap, terão eles alguma vez duvidado? Duvidaram: desafiando a vontade de Deus, esconderam-se a murmurar um pouco abaixo do Trono, atrevendo-se a perguntar coisas proibidas: antiperguntas. Estará certo que. Não poderia discutir-se o caso. Liberdade, a mais antiga antiguidade do mundo. Ele sossegou-os, naturalmente, servindo-se das suas artimanhas de governante a la deus. Lisonjeou-os: vós sereis instrumentos da minha vontade na terra, da salvaçãodanação do homem, e todo o etcetera do costume. E pronto, acabaram-se os protestos, tomem lá as auréolas, voltem ao trabalho. Os anjos são fáceis de pacificar; basta transformá-los em instrumentos e eles tocam logo a música de harpa que se lhes pedir. O seres humanos são mais duros de roer, conseguem duvidar de tudo, até da evidência dos seus próprios olhos. De trás dos seus próprios olhos. Daquilo que, enquanto eles se afundam no sono, como pálpebras de chumbo, sucede atrás dos olhos fechados… os anjos, esses não tem grande força de vontade. Ter vontade é discordar; não se submeter; divergir.”

(favor perdoar a falta de crases, o notebook nunca mais as recuperou, mas o novo está quase pronto)

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  1. não li o trecho porque o livro está de próximo na fila para ler 😉
    a biografia explica muita coisa mesmo, talvez eu devesse ter trocado as ordens igual a você, mas não resisti.

    você me avisa quando é sua defesa? se eu puder ir, queria ver
    saudades

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