Das religiões 1

Padrão

Há pouco tempo me considerava uma pessoa sem religião. Mais ainda: avessa a todas elas. Baseada nos religiosos que me cercavam, via que a maioria deles estava pronta para julgar quando alguém resolvia ser diferente dos “planos de Deus”. Incrível que toda essa gente sabe direitinho quais são os planos de Deus. 250 milhões de religiões pelo mundo, uma porrada delas baseada no mesmíssimo livro, e todo mundo sabe o que Jesus gosta ou não gosta. Aquele cara, que pelo pouco que sei era o mais bondoso, que prezava a humildade, que acolhia prostitutas e ladrões e não gostava nem um pouco da ostentação e da riqueza, ah, como falam em nome dele! Nem comento os programas de TV que atingiram o ápice de venderem o “perfume de Deus”, não sem antes anunciarem a “fronha que realiza seus desejos”, ou pedirem para que as pessoas dessem “um nó na camisa” (esse vídeo é um trote, mas mostra o tal nó. Troque camisa preta por arruda ou manjericão. Pois é…). Macumba em nome de Deus (e a preços incríveis) pode, viu? O resto é coisa do demônio. Sem contar no machismo impregnado em todas elas… A intolerância das igrejas – todas cristãs, não to falando do Bin Laden, não – me fazia ficar bem longe delas. Depois de mais velha, sempre entendi as igrejas como extremamente autoritárias, seus rituais, presentes em todas as esferas da vida pública, me davam (e ainda dão) raiva.

Mas nem sempre foi assim. Fui criada por uma vó muito católica. O catolicismo, para mim, não foi uma opção, mas também não foi uma imposição. “Qual sua religião?” “Católica”. Simples. O batismo na religião católica, ao contrário das evangélicas, é imposto as crianças. “se não batizar a criança fica desprotegida e muito arteira”… To imaginando Deus lá em cima escolhendo a criança que ele vai proteger “não, aquela ali pode quebrar o braço porque não foi batizada” hahaha divago. Foi minha avó quem me ensinou o Pai Nosso, quem tentou me ensinar o Salve Rainha e foi com ela que eu rezava o terço todo, e fazia inclusive promessas baseadas nessas orações – que eu só cumpria se ela tivesse feito… acho que nunca cumpri nenhuma promessa. A primeira comunhão sim, foi de fato imposta “se você não fizer não vai poder casar”. A opção de casamento civil, ou em outra religião, como se pode ver, não era de fato uma opção. A não-comunhão poria em risco o sonho muito bem plantado na cabeça de toda menina, que é o casamento. E lá ia eu todos os sábados de manhã para a igreja. Não lembro de absolutamente nada daquelas aulas. Nem se eu gostava. Só lembro do nervosismo da primeira confissão. Lembro que eu falei que brigava muito com a minha irmã. E que o padre foi muito bondoso e disse que eu sabia que não podia fazer isso. Lembro que odiei o que uma tia, com muito carinho, tinha feito no meu cabelo para a cerimônia da primeira comunhão. Lembro ainda que eu pensava “que não ia fazer aquela tal de crisma nem ferrando”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s