Arquivo mensal: abril 2012

Diálogos

Padrão

Diálogo com a portuguesa do cinema ontem.
Amiga e eu compramos um café e a atendente falou que, por mais um euro, tínhamos direito a escolher entre dois pacotes diferentes de balinhas.
– Hum, e quais são os sabores?
– Tem as de frutas e as de sabores loucos.
– E o que são esses sabores loucos?
– Ora, pois os sabores loucos são sabores, assim, loucos que não sei explicar e as de fruta, pronto, tem gosto de fruta.
– Bom, então me vê as de fruta… =/

um lembrete

Padrão

Lisboa, sua linda, tô esperando a primavera tá? Não esquece dela não #ficaadica

Na foto da Torre de Belém dá pra ver como o tempo tá delicia aqui (NOT) Aliás, não achei a Torre de Belém lá grandes coisas não (desculpa, Portugal!). É bem claustrofóbica, na verdade… embaixo dela tem uma prisão que o teto deve ter 1,70m mais ou menos. Imagina aquilo a noite, o mar batendo nas pedras, o frio, e nego agachado naquela salinha? (eu nem tirei foto porque minha vontade foi sair correndo assim que entrei!).

Image

Não custa perguntar: primavera, cadê você?

Tourada no Campo Pequeno

Padrão

Quem viu onde moro, sabe que é muito próximo à Praça de Touros que, como o nome diz, é uma grande arena para a realização de touradas.

Image

E essa foto é do dia em que resolvi “conhecer a cultura” e me fui, comprando o lugar mais barato, para assistir a tal carnificina manifestação cultural.

O início é muito bonito:a cerimônia de abertura, aquelas pessoas bonitas e bem vestidas, a orquestra, o público aplaudindo. Eu aplaudi também, mas os aplausos terminaram na abertura mesmo.

Image

No google aprendi que o que acontece no Campo Pequeno (e talvez seja a tradição portuguesa, mas não sei) é o “rejoneo”, que consiste no toureiro a cavalo. Há um espécie de hierarquia: são três toureiros a cavalo competindo, e há, nos intervalos, os homens que seguram a famosa capa e fazem o “olé” e os  “forcados”, que são os caras que de fato encaram o boi na unha. Mas a competição ocorre mesmo entre os três montados, que se alternam em enfincar as espadas no lombo do boi. Os forcados só entram quando o boi já está bastante machucado, pingando sangue na arena – e sim, as pessoas aplaudem e vibram pelo toureiro que enfinca mais espadas.

Sinceramente, por mais respeito à tradição e à cultura, eu queria muito que os toureiros se fodessem! Lembrei daquela cena do filme “O Gladiador”. que o imperador machuca o Maximus antes da batalha… é a mesma coisa! O touro já entra machucado,  e só depois de umas duas espadadas é que entram o rapaz com a capa e depois os tais forcados… Eu não consegui aplaudir. Não só não aplaudir: eu morria de pena do bicho. Ele estava ali, sendo machucado, atordoado, só para satisfazer sei lá o quê! Os nossos rodeios no Brasil, que são proibidos em muitos lugares como Campinas, são fichinha perto da maldade.

É bom frisar que é tudo muito diferente do que, pelo menos eu, tinha em mente de o que seria a tourada: o homem com a capa e tal. Quem manda ali é o cara do cavalo, e os cavalos são espetaculares! Eu só queria ali que nem o touro, nem o cavalo se machucassem! Sai antes do fim e descobri que um dos forcados, esses meninos aspirantes a toureiros, se deu bem mal nessas de tentar imobilizar o touro.

Pra quem defende que é tradição, um grandissíssimo FODA-SE! É fácil defender tradição quando não é no seu lombo que estão enfincando espadas, né bonitão?! Por mim, agora com conhecimento de causa, que se proibissem  todas as touradas sim! A diversão de ninguém deve se dar às custas de um animal ser machucado e morto. Dá pra se divertir com muita coisa que não signifique o sofrimento de outro… vocês tem imaginação, ibéricos… sei que podem fazer melhor 😉

Image

Foi a primeira vez que fui feliz em não ter dinheiro, porque senão teria tido a “brilhante” ideia de ver esse massacre de perto…

Frio é lindo. Só que não.

Padrão

Uma semana de vento gelado e lá vaaai a Carol pra farmácia comprar remédio pra garganta. Fiquei pensando: “Que cacete, porque não trouxe remédio? Gastar mais aqui não tava nos planos” (a loca que deixou quase R$100,00 na Droga Raia antes de vir…). Pois eu peço um remédio pra dor de garganta, a mocinha traz uma caixa de antiinflamatório (acordo ortográfico? oi?) com 20 comprimidos e diz o preço: 1,67… GENTE! Sério, devia ter deixado pra comprar todos os remédios aqui E ainda levar pro Brasil alguns na volta!

Passando frio (mas feliz) em Sintra

Padrão

Como cheguei na semana da Páscoa, o orientador já estava na chamada “férias de Páscoa”, que é um recesso de até duas semanas que as universidades (provavelmente colégios também, mas não tenho certeza) fazem. Ele estava em Sintra, e me convidou para um almoço por lá. Me explicou mais ou menos que, de onde eu estou morando, era só ir até a estação de Entre Campos e ir de trem até lá. Gostei da ideia, e resolvi ir mais cedo, com a intenção de já ir no Castelo dos Mouros (a foto do post abaixo) antes do almoço.

Graças à minha cara de turista desinformada (e ter a sorte de ter encontrado um funcionário simpático – o que, sinto dizer, não é comum) o rapaz da bilheteria me explicou que eu teria de trocar de trem para chegar a Sintra, mas isso não foi problema. Dica: não há catraca ou qualquer sistema que obrigue o usuário do transporte a passar o cartão nessa estação. Mas se você não passar, na SAÍDA da estação de Sintra tem! Ou seja, policial me pegando de lado e me tascando uma multa de mais de cem euros, se o cara da bilheteria não tivesse me avisado. Já pensou que lindo? Posso dizer que achei esse sistema meio burro? Posso.

Sintra estava mais frio que Lisboa (e saí de Lisboa com 11 graus). Acho que no verão já é frio! Definitivamente eu não estava preparada. Sentei numa cafeteria em frente a estação pra tentar me aquecer. Outra coisa que gosto daqui são os preços. Claro, se você o tempo todo ficar convertendo para o real, são bem parecidos (mentira: comida no mercado é beeem mais barato do que no Brasil. Só digo que chocolate aqui é 40 centavos de euro por exemplo, e isso não será bom para o meu peso), mas acho justíssimo pagar 1 euro num café numa cidade turística. Depois disso, resolvi ir subindo as vielas de Sintra, que tem muitos comércios, muitas lojas de presentes e vinhos. Foi nessa que achei um caminho pra ir até o Castelo dos Mouros a pé. Sou retardada? Sim e não, porque, apesar de uma baita subida, o trajeto é muito bonito e se você for sem peso e sem criança e tiver um pouquinho de disposição, eu recomendaria que fizesse o mesmo. Ah, confesso que quando fui subindo, talvez porque era muito cedo, fui ficando meio sozinha, no meio do mato, nada legal. Dai encontrei um estudante (cara de estudante, a gente se reconhece) de Barcelona e bem, se ele queria fazer o percurso sozinho, não conseguiu. Subi com ele e a outra parte boa é que ele tirou várias fotos pra mim #caradepau. A vista lá é incrível, as ruínas são interessantíssimas e paga-se 7,5 euros pra entrar. Eis que eram 12:10h e minha reunião/almoço estava marcada para 12:30h e eu ainda estava lá em cima. Quando avistei um ônibus, saí correndo para pegá-lo e entrei pela porta aberta. O motorista olhou para trás e falou, numa educação impressionante: “Get out of the bus!” Sim queridos, eu entrei pela porta errada e era óbvio que ele não podia simplesmente me explicar isso né? Enfim, desci (claro, antes que ele me batesse!) e procurei um táxi, porque a fila para o ônibus (siiim havia uma fila que eu vi depois) estava enorme.

O ônibus é assim: você paga 5 euros lá embaixo, no centro histórico, para subir e visitar o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena. Você tem direito a descer duas vezes e pegar de novo, acho… algo assim. Lá em cima, claro, paga-se as entradas: 7,50 o Castelo dos Mouros e 13,50 o Palácio da Pena. Deve ter um preço especial para os dois, mas tive que descer pro almoço e paguei os dois separados.

Depois do almoço MARAVILHOSO com o orientador (gente, só digo que comi o arroz de Tamboril e de sobremesa profiteroles HÁ) voltei lá pra cima pra conhecer o Palácio. Por fora achei mais bonito que por dentro, pode? Dentro achei a organização meio confusa, umas coisas do século XVIII, umas do XIX e uma tentativa de “verdade”… sei lá, não entendo de organização de museus… gostei mais de ver a restauração que está sendo feita, dentro e fora #historiadorafeelings A galera gostou: perguntavam se eram originais (ai a preocupação com o original), falavam que a decoração “parece com a casa da sua mãe, né benhê?” (juro, e eram brasileiros) e ficaram impressionados com a quantidade de salas que pertenciam a rainha. Também não gostei do guia, informações superficiais! Ai como sou chata, pqp.

Image

Por fim, desci e voltei pra estação. Bom que na volta, graças a simpatissíssima mocinha das informações turísticas (e sim, todo mundo do atendimento aos turistas são simpáticos mesmo, sem ironia), descobri que poderia pegar um trem direto.

Quando for, vá com um sapato confortável, uma blusa a mais e, sério, uns 70 euros entre almoçar, entrar nas atrações e comprar umas lembrancinhas. Eu comprei uns cartões postais e um presente pro namorado (vão no google ver o “tritão do palácio da pena”. É uma escultura incrível – lembrei porque tem a ver com o presente). Comi nesse restaurante porque foi sugestão do orientador, tem opções mais baratas. E tem mais muitos lugares pra ir. Daí sim, só com um dia pra ver tudo, talvez não valha a pena subir a pé, como fiz. Mas nada me impede de voltar lá de novo, (dessa vez mais agasalhada) e curtir o que não deu tempo dessa vez.